terça-feira, 9 de março de 2010

Entrevista: Ewerton, Goleiro da Portuguesa nos Anos 80

"Num futuro bem próximo, a Lusa vai conquistar os títulos que sua história merece"


Ewerton jogou na Portuguesa entre 1979 e 1987, quando o clube era muito mais respeitado e levava mais torcedores ao Canindé. O goleiro integrava o elenco que disputou a final do primeiro turno do Campeonato Paulista de 1980 e da decisão de 1985, contra o São Paulo.

Nesta entrevista, ele lembra a estreia contra o Corinthians, quando deu, com a mão, um "chapéu" em Sócrates, lamenta a lesão no rim que comprometeu a sua carreira, cita os colegas Toquinho, Mendonça, Serginho e Moacir e compara Vágner Benazzi a Jair Picerni: "são treinadores que se identificam muito com a Portuguesa". Leia na íntegra:

Você jogou oito anos pela Portuguesa, entre 1979 e 1987. Qual a maior lembrança desse período?
A amizade entre todos os jogadores que passaram pela Portuguesa e a relação com a torcida, que era bastante cordial.

Hoje é quase impossível um jogador ficar tanto tempo assim em um clube. O que mudou no mundo do futebol de lá para cá?
O amor pelo clube desapareceu. Hoje um jogador troca de clube muitas vezes por pequenas vantagens financeiras, sem levar em consideração se vai se sentir bem jogando em um outro lugar.

Em 1980, a Portuguesa era comandada por Mario Travaglini e chegou às finais do primeiro turno do Paulistão contra o Santos. Foi uma campanha brilhante, mas a Lusa acabou perdendo os dois jogos finais. Qual o motivo do revés?
A qualidade técnica do Santos era superior. Nós tínhamos uma equipe muito boa coletivamente, mas nas finais acabou prevalecendo a qualidade individual de alguns jogadores do Santos.

"O que pode ter determinado a nossa derrota nas finais de 1985 foi a falta de força política da Portuguesa"

Você também fazia parte do elenco que disputou as finais de 1985. O que faltou para a conquista do título?
Assim como em 1980, também tínhamos uma equipe muito boa e com vários jogadores de ótima qualidade técnica. Mas o que pode ter determinado a nossa derrota foi a falta de força política da Portuguesa, já que os dois jogos finais foram realizados na casa do São Paulo, o Morumbi.

A Portuguesa era muito mais respeitada naqueles anos. O que fazer para recuperar o prestígio perdido?
Primeiro, recuperar a credibilidade administrativa e, depois, voltar a estar presente nas grandes decisões do futebol paulista e brasileiro.

Você começou sua carreira no Estrela-RS. Como surgiu o interesse da Lusa em contratá-lo?
Um conselheiro que morava no Rio Grande do Sul assistiu a alguns jogos e me recomendou ao Sr. Osvaldo Teixeira Duarte.

"Na minha estreia contra o Corinthians aconteceu um lance que ficou muito marcado: dei um "chapéu" no Sócrates"

Você lembra alguma partida, ou mais de uma, da Lusa que tenha te marcado muito?
Tenho duas: uma positiva e outra negativa. A positiva foi a minha estreia contra o Corinthians, no Pacaembu, quando aconteceu um lance que ficou muito marcado: dei um "chapeuzinho" no Sócrates. Foi com a mão, é claro, mas foi no Sócrates! A negativa foi o jogo contra o Palmeiras em que me machuquei e tive que operar o rim, quando estava no melhor momento da minha minha carreira.

Qual o melhor técnico com que você trabalhou na Portuguesa?
Foram vários, mas destaco o Mario Travaglini e o Jair Picerni.

Na série de figurinhas do Futebol Cards, você afirmou que “seriedade, dedicação e consciência profissional são fundamentais” para a carreira de um jogador. Hoje, com grandes patrocínios e muito dinheiro no mundo do futebol, o que mais é necessário para um atleta ser bem-sucedido?
Estes itens devem continuar a ser seguidos muito mais do que antes, já que a concorrência hoje é muito maior no futebol. É importante lembrar que o número de jogadores que são formados pelas categorias de base dos clubes aumentou e existem, também, várias equipes com centros de treinamentos mantidos por empresários, que não pertencem a nenhum clube de tradição no futebol brasileiro.
 
"Fiz uma boa amizade com o Serginho "Boneca" e o Moacir "Cachorro", que eram os meus “concorrentes”"
 
Você jogou com Enéas, Toquinho, Caio. Quais eram os seus melhores companheiros naquela época?
Toquinho e eu éramos vizinhos e íamos juntos ao treino. Mais tarde, o Mendonça também foi morar no mesmo prédio e mantivemos uma forte amizade. Também fiz uma boa amizade com o Serginho "Boneca" e o Moacir "Cachorro", que eram os meus “concorrentes”.

Tem contato com algum deles ainda?
Muito pouco. Cada um foi para um lado.

Depois que começou a sua carreira de técnico, pensou em algum momento em assumir a Lusa?
É difícil porque me estabeleci no Rio Grande do Sul. Mas se surgir a oportunidade podemos conversar.

"Benazzi é hoje para a Lusa o que era o Jair Picerni tempos atrás"

Você acompanha atualmente os jogos da Lusa? O que acha do elenco e do trabalho do Benazzi?
Do elenco pouco conheço. Mas o Benazzi é hoje para a Lusa o que era o Jair Picerni tempos atrás. São treinadores que se identificam muito com a Portuguesa.

A Portuguesa enfrentou o Santos no último domingo, jogou bem e acabou empatando. Qual segredo vencer jogos como este? 
Para ganhar clássicos só existe uma receita para a vitória: respeitar sem se intimidar.

Você tentaria mudar alguma coisa se pudesse voltar no tempo e defender novamente a Portuguesa?
Talvez eliminaria o jogo em que sofri a lesão no rim. Essa lesão atrasou um pouco a minha carreira.

Fale sobre a sua carreira depois da Portuguesa. O que faz atualmente?
Sai da Portuguesa e fui para o Noroeste de Bauru, onde disputei o Paulistão de 1987. Depois fui para o Marítimo da Ilha da Madeira, onde fiquei por 13 anos. Primeiro, como jogador, depois como treinador das categorias de base e, por fim, auxiliar técnico da equipe profissional. Voltei ao Brasil e trabalhei como treinador de juniores no Caxias e no Juventude.

Deixe uma palavra ao torcedor rubro-verde
Acredite sempre, pois tenho certeza que num futuro bem próximo a Lusa vai conquistar os títulos que sua história merece.

Quer saber mais sobre o Ewerton?
Visite a página do goleiro:
http://www.treinamentosdefutebol.com.br/

Meu twitter: http://www.twitter.com_renatopereira/

terça-feira, 2 de março de 2010

Marcelo Duarte


Marcelo Duarte é louco por futebol desde pequenininho, quando ficava de plantão na banca de jornal aguardando todas as terças-feiras sua publicação favorita: a revista Placar. Já jornalista, realizou o sonho de trabalhar na própria Placar, onde começou como estagiário e ficou até se tornar diretor de redação.

Passou pelas redações de Playboy, Veja São Paulo e colaborou com revistas como Próxima Viagem, Sexy e Set. Como escritor, publicou a série de livros “O Guia dos Curiosos”, um dos maiores sucessos editoriais do país.

Marcelo é um dos “Loucos por Futebol” da ESPN-Brasil, apresenta o “Você é Curioso?” na Rádio Bandeirantes e escreve no Jornal da Tarde. Na internet, atualiza diariamente o site www.guiadoscuriosos.com.br e comanda o programa “TV Curioso”.

Nesta entrevista, ele fala como virou um louco por futebol, comenta fatos curiosos do esporte e relembra histórias marcantes de sua carreira. Sobre a possibilidade de o Brasil ganhar a Copa do Mundo, Marcelo diz: “o Dunga, com seu estilo pragmático, tem tudo para faturar a Copa. E como ele não quer ser lembrado como um cara que conquistou grandes goleadas, não acho que isso seja impossível”. Leia na íntegra:

Desde quando você é um louco por futebol?
Desde pequenininho. Eu tinha uns 8 ou 9 anos e me apaixonei pela revista Placar. Eu tinha uma ansiedade maluca para que chegasse logo terça-feira, que era o dia que a revista circulava, para ir correndo até a banca e comprar o meu exemplar. Muitas vezes eu chegava na banca antes que a revista e voltava para casa muito nervoso! Uma vez teve uma exposição da Placar no MASP e percebi que eu tinha um acervo maior do que o da própria revista. Naquele tempo, eu já sabia décor a escalação do Sergipe e de tudo que é time do Brasil.

Então você realizou um sonho quando foi trabalhar na Placar?
Claro! Era a revista que eu me identificava, que eu lia sempre. Era "muito forte" trabalhar lá. Olha, eu comecei a trabalhar na Placar assim: eu mandava cartas toda a semana para a redação e, em uma ocasião, eu escrevi um conto que gostaram e publicaram em uma edição de fim de ano. Depois perguntaram se eu queria passar um "período de férias" na redação - e claro que aceitei, já que eu estava no segundo ano de jornalismo! O fato é que entrei como estagiário e só sai de lá como diretor de redação.

Sempre que leio as edições antigas da revista Placar, tenho a sensação de que o jornalismo era diferente. O texto, a diagramação, o conteúdo parecem que eram melhores. O jornalismo esportivo mudou muito?
Não sei se o jornalismo mudou tanto assim. Mas antes o jornalista podia se preocupar mais com a qualidade do texto, e os jogadores eram mais disponíveis. Hoje, como a informação está mais rápida e acessível, os repórteres estão mais preocupados em dar uma notícia antecipada a buscar a profundidade da informação. No meu tempo, eu tinha acesso a todos os jogadores. Se eu estivesse fazendo uma coisa diferenciada, podia escolher o jogador que eu quisesse para fazer um perfil ou outras coisas desse tipo. Hoje, é o clube que escolhe quem vai falar e os atletas são reticentes, pensam muito em preservação de imagem. Mais do que tudo, mudou o relacionamento do repórter com o entrevistado. E atualmente se escreve bem menos do que antes.

Falando nisso, hoje os repórteres não podem mais entrar em campo para entrevistar os jogadores. Eles têm que esperar os atletas saírem do gramado para conseguir uma entrevista. Você é favorável a isso?
Favorável eu não sou. Limita demais o trabalho em campo. Por outro lado, essa é uma medida internacional, implantada no mundo inteiro. É bom que você democratiza a informação. Se o Mano Menezes resolver falar com um, ele vai ter que falar com todos.

Você é jornalista há mais de 25 anos. Qual a história mais curiosa sobre futebol que presenciou?
Tem uma que eu adorei. Foi num jogo no Canindé, entre Corinthians X União Bandeirante ou Corinthians X Ponte Preta, não lembro o adversário direito. Foi num jogo à noite, em que a torcida organizada do Corinthians fez um protesto e resolveu não entrar em campo. Eu "fiquei infiltrado" na torcida, que queria apagar a luz do estádio durante a realização da partida. Os torcedores se reuniram e ficaram pensando em como apagar as luzes do refletor, coisa tipo inspetor Closeau mesmo. Claro que os torcedores não conseguiram deixar o estádio às escuras. Todos os repórteres entraram em campo e eu fui o único que não entrou. Mas fiz uma matéria diferenciada. Aliás, eu deixei de ver muito futebol para acompanhar os bastidores. Consegui muitas coisas legais por conta disso.

E qual a melhor reportagem sobre futebol que você já realizou?
Gostei muito da final do Campeonato Paulista de 1988, fiz um texto inspirado e a cobertura foi show. Também ganhei um prêmio pela reportagem que foi capa da Veja São Paulo, sobre o enriquecimento ilegal de José Farah, ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, que também foi muito importante para mim.

Onde você prefere trabalhar, rádio, TV, jornal ou internet?
Eu gosto de tudo em jornalismo, mas o rádio é que te permite ousar mais, explorar melhor o lado lúdico das pessoas. É um veículo que te dá muitas possibilidades. Você está com o ouvinte em todos os lugares. É um canal de comunicação surpreendente. Por outro lado, eu fui formado em revista. A revista te ensina um jeito diferente de fazer jornalismo. Acredito que depois que se trabalha em revista, o jornalista pode trabalhar em qualquer lugar. Imagine: a revista chega na banca, na terça-feira, depois que os gols já foram mostrados na TV, repetidos exaustivamente no rádio e publicados nos jornais. E você tem que fazer com que aquilo ainda tenha algum interesse depois disso tudo. É, sem dúvidas, um verdadeiro exercício de criatividade jornalística.

O que acha do surgimento de tantos blogs?
Eu acho o máximo. Hoje você tem tudo, sobre qualquer assunto na internet. Acho que os blogueiros podem fazer algo diferenciado, que é dar opiniões e comentar livremente. Para o jornalista não muda muito. Tem que ter responsabilidade, apurar, checar....

Estamos em ano da Copa do Mundo. Você acha que o Brasil vai ser o campeão?
Olha, eu não duvido não. O Dunga, com seu estilo pragmático, tem tudo para faturar a Copa, sim. E como ele não quer ser lembrado como um cara que conquistou grandes goleadas, não acho isso impossível não. Além disso, como a Copa será realizada em um continente neutro, creio que a conquista seja mais possível ainda. 

E sobre a próxima Copa do Mundo ser no Brasil. Qual a sua opinião?
Eu gostaria que nós tirássemos algum proveito social disso. Claro que é espetacular ter uma Copa do Mundo na sua casa. Para todo mundo, isso é ótimo! É uma grande chance de melhorar um monte de coisas: acabar com atrasos nos aeroportos, melhorar banheiros e alimentação nos estádios, é uma chance de termos estacionamentos e mios de transporte decentes. Mas não adianta sermos um país de primeiro mundo durante um mês e depois voltarmos a ser o que éramos antes. Se a Copa no Brasil ajudar o país a ter um pouco mais de educação vai ser ótimo, tendo em vista a fortuna que será gasta.

E sobre a medida que determina que os jogos acabem até 23h15? O que você acha?
Eu não acredito mais em Papai Noel. Acho que é utopia a Câmara Municipal sancionar a lei que obriga os jogos acabarem às 23h15. O horário ideal seria das das 8h às 22 h para o povo voltar para a casa tranquilo e ter à disposição alguns serviços essenciais, como transporte e segurança. Mas como a TV Globo paga para exibir os jogos, a tendência é que, cada vez mais, o público assista às partidas pela TV. Além disso, pouca gente vai se dispor a correr risco a ir a um jogo às 22h.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

José Roberto Torero

José Roberto Torero é escritor, cineasta e jornalista. Autor de livros como “Dicionário Santista”, “O Diário de Lele”, “Os Cabeças-de-Bagre Também Merecem o Paraíso” e "O Chalaça", que ganhou o prêmio jabuti de 1995, ele é torcedor do Santos Futebol Clube.

Criador de personagens como Zé Cabala, Preta, Camargo, o amargo e Torquato, o chato, Torero falou com o blog na semana em que se despede da sua coluna semanal da Folha de S. Paulo.

Entre outras coisas, afirmou que o Brasil e Espanha são favoritos à conquista da Copa do Mundo, que ele gosta dos campeonatos estaduais e cita Telê e Pelé como melhor técnico e jogador que ele já viu. Leia na íntegra:

Essa molecada do Santos está jogando o fino da bola. Zé Cabala já pode fazer alguma previsão para antecipar se o Peixe vai garantir algum título neste ano?
Como diminuí o cachê de Zé Cabala, ele disse que o Santos não ganhará nada, mas vai chegar perto, só para doer mais.

Sempre que aparecem jovens talentos, como esses que estão no Santos e dão show de bola, surgem aqueles que chamam os dribles ofensivos de provocação. O futebol anda muito influenciado pelo Camargo, o amargo?
Não por Camargo, o amargo, mas por Torquato, o chato.

Depois de 12 anos, você publicou a sua última coluna na Folha na terça passada. A mudança é necessária?
Não. Necessária é exagero. Mas ganhei as manhãs de segunda para escrever outras coisas.

E a torcida desorganizada dos “trouxedores”? Já há muitos seguidores?
Houve centenas de comentários de apoio à ideia. Acho que será algo bem divertido.

Falando em "trouxedor", o que você acha da lei, que em sua primeira votação na Câmara Municipal de São Paulo, foi aprovada e que determina que todas as competições esportivas na cidade terminem até 23h15?
Durmo lá pelas 23h30 e acordo às 6h30. Logo, achei uma ótima lei. 

Você gosta dos campeonatos regionais, é favorável à continuidade deles? Ou acha que, caso ocorra alguma mudança, Tico e Teco podem inventar moda e complicar ainda mais o nosso calendário esportivo?
Sim, gosto dos estaduais e não quero que eles acabem. Quanto a Tico e Teco, estão sempre à espreita para complicar o futebol. É só ver as regras do Campeonato Mineiro.

Estamos em pleno ano de Copa do Mundo. Você acha que o Brasil pode conquistar o título? Por qual motivo vamos todos encher a cara no Bar da Preta: eliminação ou conquista?
Acho que o Brasil é o favorito, seguido pela Espanha, que é a seleção mais roubada na história das Copas. E, no fim das contas, com vitória ou derrota, estaremos todos lá no Bar da Preta. 

E quanto a Copa do Mundo ser realizada no Brasil. Qual a sua opinião?
Penso em montar uma empreiteira com Zé Cabala para também ganharmos algum dinheiro.

Qual a melhor partida de futebol a que você assistiu?
Santos 5 x 2 Fluminense, nas arquibancadas do Pacaembu. 

Qual o melhor treinador e jogador que você já viu?
Telê e Pelé.

E, por fim, qual camisa você considera a mais bonita do futebol brasileiro?
Por motivos afetivos, a do Santos, claro. Por motivos estéticos, a do América Mineiro.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

João Carlos Martins

"Se voltar a ganhar, vários torcedores da Portuguesa vão reaparecer"


O maestro João Carlos Martins é considerado um dos maiores intérpretes de Bach do mundo. O regente começou a vida musical cedo - aos sete anos de idade, após ganhar um piano do pai. Assim como a sua paixão pela Portuguesa, cujo início se deu em um treino da Lusa em pleno Parque do Ibirapuera. 

Nesta entrevista, o pianista fala sobre a atual equipe rubro-verde, Vagner Benazzi, o encontro com craques em Nova Iorque e a camisa preta da Lusa. Sobre uma possível mudança de nome, ele sugere: “que seja feita uma pesquisa com todos os torcedores da Portuguesa. Seria a forma mais democrática para se resolver o impasse”.  Leia na íntegra:

Como o senhor vê a campanha da Portuguesa em 2010?
A Portuguesa começou com pinta de time campeão e, por não ter fórmulas para furar bloqueios adversários no próprio Canindé, parou “no meio da rampa”. A Portuguesa tem dificuldades de jogar contra times que jogam na retranca.

O senhor gosta do trabalho do técnico Vagner Benazzi?
Adoro, eu adoro o Vagner Benazzi. Ele deve corrigir essa falha, de não furar bloqueios, já durante os treinos do carnaval. Se ele conseguir corrigir, a Portuguesa tem tudo para ainda fazer uma boa campanha no Paulistão deste ano.

Podemos ter pretensões com o atual elenco rubro-verde?
Sim. É um elenco dedicado. É um elenco que quando joga no contra-ataque vai à área do adversário e chega muito bem. Só que infelizmente ainda não encontrou o seu caminho definitivo.

“Foi tão emocionante tocar no Canindé lotado quanto tocar no Carnegie Hall, de Nova Iorque”

No último jogo do Campeonato Brasileiro de 2007, quando a Portuguesa conseguiu o acesso à Série A, o senhor tocou o hino nacional para um Canindé lotado. Qual foi a sensação?
Foi no jogo contra o Criciúma. Foi tão emocionante quanto tocar no Carnegie Hall, de Nova Iorque

Certa vez, eu ouvi uma história que quando o senhor tem um concerto e acontece um jogo da Portuguesa no mesmo dia, o senhor não vê a hora de acessar a internet para saber o resultado da partida. É uma história real?
É verdade. Mas essa história aconteceu em um jogo específico, quando a Portuguesa jogava contra o Sport, pela Série B de 2006. Se ela perdesse, iria para a terceira divisão. Preocupado com o resultado da partida, eu não conseguia me concentrar para o concerto, que ocorreria em Tatuí. Quando acabou a minha apresentação e soube o resultado, eu, que não sou de beber, tomei um porre.

Como o senhor virou torcedor da Portuguesa?
Foi no tranco! Com seis ou sete anos, fui assistir a um treino da Lusa no Ibirapuera. É verdade, a Lusa treinava no Ibirapuera! E eu estava atrás do gol em que estava o goleiro Caxambu e de repente levei uma bolada do Nininho. Fiquei inconsciente e os jogadores me trataram com tanto carinho que eu não tinha como não torcer por aquele time.

“Sou favorável à mudança de nome, desde que mantidas as raízes lusitanas”

Numa outra ocasião, o senhor estava no Central Park e encontrou com a delegação da Portuguesa, que participaria de um torneio em Nova Iorque.
É verdade. Participei de um treino ao lado de Almir, Félix, Jair Marinho, Orlando e Pampolini e Aymoré Moreira como técnico. Durante o jogo, rompi um nervo e quase minha relação com o piano chegou ao fim. O episódio me rendeu alguns anos sem tocar! Como eu disse antes, virei torcedor da Lusa no tranco mesmo!

Como alguém pode virar torcedor de um time que não ganha nunca?
Olha, as pessoas torcem pelos resultados que os times alcançam. Em 2007, a Portuguesa ganhou tudo e levou 15 mil torcedores ao Canindé, no jogo contra o Criciúma. Se o time voltar a ganhar, vários torcedores  vão reaparecer, vão "sair do armário”.

Desde que me conheço por gente, ouço comentários sobre a possível mudança de nome do nosso time. Aliás, há uma parte da torcida que é favorável à alteração. O que senhor acha disso?
Sou favorável à mudança, desde que sejam mantidas as raízes lusitanas. Minha sugestão é que seja feita uma pesquisa com todos os torcedores da Portuguesa. Seria a forma mais democrática para se resolver o impasse.

E se a maioria votar em “Portuguesa” de novo?
É a democracia. O resultado teria que ser respeitado.

O senhor tem algum novo nome para sugerir?
Acho que deve ser alguma coisa na linha de Vasco da Gama. Um grande navegador é um exemplo para um bom nome ou alguma coisa nessa linha.

Qual o jogo mais marcante da Lusa para o senhor?
São dois. O primeiro foi um 7 X 3 sobre o Corinthians em 1951. Um jogaço, em que chovia muito no Pacaembu e o Gilmar era o goleiro do Corinthians. O outro foi um 8 X 0 sobre o Santos, pelo Campeonato Paulista de 1955.

Quais melhores técnicos da Portuguesa ao longo da nossa história?
Oto Glória e Benazzi. Oto Glória por tudo de óbvio que ele fez à Lusa e Benazzi por ter "a cara” da Portuguesa.

"Não tenho como falar mal de um profissional que tirou a Lusa praticamente da terceira divisão e a trouxe para a primeira"

E por que o senhor acha que há tantas críticas ao Benazzi?
Não sei. Não tenho como falar mal de um profissional que tirou a Lusa praticamente da terceira divisão e a trouxe para a primeira. Não acho que alguns resultados infelizes sejam uma razão suficiente para tirá-lo do comando rubro-verde.

E a camisa preta, o senhor gosta?
Gosto. Tenho uma com meu nome e tudo. A terceira camisa é uma realidade do futebol atual, a maioria dos times tem uma.

Há alguma camisa da Portuguesa que o senhor goste em especial?
Gosto daquela branca, com gola e detalhes da manga em vermelho e verde, que a Portuguesa usava na década de 70. Dava muita sorte ao time, ao Enéas principalmente.

Um recado para o torcedor Luso
Apareça no Canindé!

Meu twitter: www.twitter.com/_renatopereira

sábado, 30 de janeiro de 2010

Edu Miranda: Técnico de Juniores da Lusa

"Se queremos ser campeões, não podemos reclamar de ônibus ruim, hotel ruim , chuva, sol, ou qualquer outro obstáculo"

Edu Miranda está otimista com o futuro da Portuguesa na Copa São Paulo de Futebol. O atual treinador da Lusa dos juniores sabe que tem uma missão complicada pela frente, mas não esconde a confiança ao afirmar que o seu time enfrentará o Palmeiras com a intenção de buscar a classificação.

Disciplinador, o técnico se considera um pai dos jogadores, tanto que sabe muito bem dosar a hora certa de elogiar ou de dar um bom puxão de orelhas. Nesta entrevista, Edu fala sobre as possibilidades da Lusa, sobre o atual elenco e afirma: "o atual elenco vai dar muito o que falar. A torcida pode esperar por gratas surpresas". Leia na íntegra:

A Lusa enfrenta o Palmeiras pela Copa São Paulo. Qual a sua expectativa?
A melhor possível. A Lusa tem uma história muito bacana nessa competição e queremos repeti-la. Não nos consideramos favoritos, mas vamos buscar a classificação. Respeitamos demais o Palmeiras, só que vamos jogar para cima o tempo todo.

A garotada está muito empolgada?
Todo mundo muito está otimista. Para a garotada é um orgulho jogar na Portuguesa. Eles estão aproveitando ao máximo essa oportunidade. Eles sabem que é uma chance única de decolar na carreira profissional.

E como controlar esse entusiasmo?
Eles têm que lembrar que há muito tempo a Lusa não fazia uma campanha assim na Copa São Paulo. É um momento maravilhoso, mas se perdemos o próximo jogo tudo vai por água abaixo. E é evidente que eu tenho um grande cuidado também. Explico que é um passo de cada vez. Aqui há trabalho forte e muito respeito, sem deixar a empolgação se tornar uma coisa ruim. Todo dia nos reunimos para conversar e acertar os detalhes

"Se queremos ser campeões, não podemos reclamar de ônibus ruim, hotel ruim , chuva, sol, ou qualquer obstáculo"

A Portuguesa jogou a primeira e segunda fase em Guarulhos. Depois veio para São Paulo. Agora está em São Carlos. Isso pode prejudicar a equipe de alguma forma?
Claro que é cansativo. Num espaço muito curto de tempo, viajamos de um lugar para outro. Mas é o preço que se paga para alcançar o êxito. Nós temos que passar por isso. O trabalho é duro mesmo. Veja só: no dia primeiro de Janeiro, nós estavámos treinando no Canindé. Todo mundo com familiares, celebrando o ano novo e a gente treinando. É um obstáculo comum da carreira. Se queremos ser campeões, não podemos reclamar de ônibus ruim, hotel ruim , chuva, sol, ou qualquer obstáculo. E nós vamos chegar! O grupo está fechado e estamos otimistas. É um trabalho bem executado. Ontem, diante do Botafogo, vencemos por 3 X 0 com um jogador a menos. São momentos como esse que transformam a vida do jogador em um momento maravilhoso.

Quais desses jogadores tem potencial para participar do time principal?
Guilherme Torres, Nilson, ambos de 18 anos, estão prontos. Aliás, o pensamento do Benazzi e do "seu" Luis Iaúca é contar com esses jogadores para o elenco principal.

A Portuguesa sempre foi reconhecida por revelar jovens talentos. De um tempo para cá isso diminuiu.Você acha que esse processo está recomeçando agora, como esse bom time que você comanda?
O trabalho começou há muito tempo. As comissões técnicas anteriores fizeram um ótimo trabalho, isso eu não posso deixar de falar. A Lusa está criando uma safra muito boa de jogadores. São muitos que já estiveram, inclusive ,no time principal: Jean, Ceará, Yago, Tom, Lúcio, Vinicius, Jaime, Cássio, Jefferson, Henrique, Guilherme, Rafael Silva, Pirajú e Ronaldo, que esteve recentemente na seleção sub-20. Trato todos como meus filhos. Puxo a orelha e sou ríspido quando preciso, mas aplaudo quando merecem.

Você fica orgulhoso do resultado alcançado?
Muito orgulhoso. Trato todos como meus filhos. Puxo a orelha e sou ríspido quando preciso, mas aplaudo quando merecem. Assim como todo mundo, essa garotada tem muitos problemas. Por isso, a conversa constante é essencial.

Esse time fez 16 gols em cinco jogos. Sofreu apenas um. Você acha possível repetir a campanha de 1991, quando a Portuguesa fez 32 gols em nove jogos?
Aquele time foi um e esse é outro. Mas a torcida da Portuguesa já pode se orgulhar. A safra atual é ótima. Eles não devem nada a nenhum outro elenco da mesma faixa etária. É um time compacto, maduro e vem se entrosando ao longo do ano. Com certeza é um elenco que sabe o que quer.Há, aqui, muito trabalho e organização. Eles vão dar muito o que falar, pois surgirão gratas surperesas.

Edu, fale um pouco mais sobre sua carreira.
Eu era atacante. Passei pelo São Paulo, Santo André, Atlético Paranase, Universidade Católica, do Chile, e The Strongest, da Bolívia. Participei do time dos menudos do São Paulo, fui campeão duas vezes no Chile, além de vice no Campeonato Boliviano. Como treinador, já passei pelo Guarani, Corinthians, São Bernardo, Barueri. E há um ano e meio estou de volta à Lusa, clube onde comecei minha carreira de técnico na escolinha, em 1998.

"Serão 25 guerreiros que vão buscar o título e honrar muito a camisa e as cores da Lusa"

Você segue o estilo de algum treinador?
Me espelho em três treinadores: no Luxemburgo, pelo esqema tático; noFelipão, pela disciplina e em José Mourinho, pela ousadia.

E o time principal? Como foi a repercussão do inicio do time que venceu ontem o São Paulo?
Foi muita alegria no vestiário. A vitória contra o São Paulo só serviu para nos motivar ainda mais. E claro que a gente torce muito pelo Benazzi. Aliás, todos do time profissional são extremamente profissionais e competentes.

Um recado final
Agradeço demais à torcida rubro-verde . E podem acreditar: esperem uma Portuguesa aguerrida. Serão 25 guerreiros que estão no elenco, vão buscar o título e honrar muito a camisa e as cores da Lusa.