José Roberto Torero é escritor, cineasta e jornalista. Autor de livros como “Dicionário Santista”, “O Diário de Lele”, “Os Cabeças-de-Bagre Também Merecem o Paraíso” e "O Chalaça", que ganhou o prêmio jabuti de 1995, ele é torcedor do Santos Futebol Clube.
Criador de personagens como Zé Cabala, Preta, Camargo, o amargo e Torquato, o chato, Torero falou com o blog na semana em que se despede da sua coluna semanal da Folha de S. Paulo.
Entre outras coisas, afirmou que o Brasil e Espanha são favoritos à conquista da Copa do Mundo, que ele gosta dos campeonatos estaduais e cita Telê e Pelé como melhor técnico e jogador que ele já viu. Leia na íntegra:
Essa molecada do Santos está jogando o fino da bola. Zé Cabala já pode fazer alguma previsão para antecipar se o Peixe vai garantir algum título neste ano?
Como diminuí o cachê de Zé Cabala, ele disse que o Santos não ganhará nada, mas vai chegar perto, só para doer mais.
Sempre que aparecem jovens talentos, como esses que estão no Santos e dão show de bola, surgem aqueles que chamam os dribles ofensivos de provocação. O futebol anda muito influenciado pelo Camargo, o amargo?
Não por Camargo, o amargo, mas por Torquato, o chato.
Depois de 12 anos, você publicou a sua última coluna na Folha na terça passada. A mudança é necessária?
Não. Necessária é exagero. Mas ganhei as manhãs de segunda para escrever outras coisas.
E a torcida desorganizada dos “trouxedores”? Já há muitos seguidores?
Houve centenas de comentários de apoio à ideia. Acho que será algo bem divertido.
Falando em "trouxedor", o que você acha da lei, que em sua primeira votação na Câmara Municipal de São Paulo, foi aprovada e que determina que todas as competições esportivas na cidade terminem até 23h15?
Durmo lá pelas 23h30 e acordo às 6h30. Logo, achei uma ótima lei.
Você gosta dos campeonatos regionais, é favorável à continuidade deles? Ou acha que, caso ocorra alguma mudança, Tico e Teco podem inventar moda e complicar ainda mais o nosso calendário esportivo?
Sim, gosto dos estaduais e não quero que eles acabem. Quanto a Tico e Teco, estão sempre à espreita para complicar o futebol. É só ver as regras do Campeonato Mineiro.
Estamos em pleno ano de Copa do Mundo. Você acha que o Brasil pode conquistar o título? Por qual motivo vamos todos encher a cara no Bar da Preta: eliminação ou conquista?
Acho que o Brasil é o favorito, seguido pela Espanha, que é a seleção mais roubada na história das Copas. E, no fim das contas, com vitória ou derrota, estaremos todos lá no Bar da Preta.
E quanto a Copa do Mundo ser realizada no Brasil. Qual a sua opinião?
Penso em montar uma empreiteira com Zé Cabala para também ganharmos algum dinheiro.
Qual a melhor partida de futebol a que você assistiu?
Santos 5 x 2 Fluminense, nas arquibancadas do Pacaembu.
Qual o melhor treinador e jogador que você já viu?
Telê e Pelé.
E, por fim, qual camisa você considera a mais bonita do futebol brasileiro?
Por motivos afetivos, a do Santos, claro. Por motivos estéticos, a do América Mineiro.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
João Carlos Martins
"Se voltar a ganhar, vários torcedores da Portuguesa vão reaparecer"
O maestro João Carlos Martins é considerado um dos maiores intérpretes de Bach do mundo. O regente começou a vida musical cedo - aos sete anos de idade, após ganhar um piano do pai. Assim como a sua paixão pela Portuguesa, cujo início se deu em um treino da Lusa em pleno Parque do Ibirapuera.
Nesta entrevista, o pianista fala sobre a atual equipe rubro-verde, Vagner Benazzi, o encontro com craques em Nova Iorque e a camisa preta da Lusa. Sobre uma possível mudança de nome, ele sugere: “que seja feita uma pesquisa com todos os torcedores da Portuguesa. Seria a forma mais democrática para se resolver o impasse”. Leia na íntegra:
Como o senhor vê a campanha da Portuguesa em 2010?
A Portuguesa começou com pinta de time campeão e, por não ter fórmulas para furar bloqueios adversários no próprio Canindé, parou “no meio da rampa”. A Portuguesa tem dificuldades de jogar contra times que jogam na retranca.
O senhor gosta do trabalho do técnico Vagner Benazzi?
Adoro, eu adoro o Vagner Benazzi. Ele deve corrigir essa falha, de não furar bloqueios, já durante os treinos do carnaval. Se ele conseguir corrigir, a Portuguesa tem tudo para ainda fazer uma boa campanha no Paulistão deste ano.
Podemos ter pretensões com o atual elenco rubro-verde?
Sim. É um elenco dedicado. É um elenco que quando joga no contra-ataque vai à área do adversário e chega muito bem. Só que infelizmente ainda não encontrou o seu caminho definitivo.
“Foi tão emocionante tocar no Canindé lotado quanto tocar no Carnegie Hall, de Nova Iorque”
No último jogo do Campeonato Brasileiro de 2007, quando a Portuguesa conseguiu o acesso à Série A, o senhor tocou o hino nacional para um Canindé lotado. Qual foi a sensação?
Foi no jogo contra o Criciúma. Foi tão emocionante quanto tocar no Carnegie Hall, de Nova Iorque
Certa vez, eu ouvi uma história que quando o senhor tem um concerto e acontece um jogo da Portuguesa no mesmo dia, o senhor não vê a hora de acessar a internet para saber o resultado da partida. É uma história real?
É verdade. Mas essa história aconteceu em um jogo específico, quando a Portuguesa jogava contra o Sport, pela Série B de 2006. Se ela perdesse, iria para a terceira divisão. Preocupado com o resultado da partida, eu não conseguia me concentrar para o concerto, que ocorreria em Tatuí. Quando acabou a minha apresentação e soube o resultado, eu, que não sou de beber, tomei um porre.
Como o senhor virou torcedor da Portuguesa?
Foi no tranco! Com seis ou sete anos, fui assistir a um treino da Lusa no Ibirapuera. É verdade, a Lusa treinava no Ibirapuera! E eu estava atrás do gol em que estava o goleiro Caxambu e de repente levei uma bolada do Nininho. Fiquei inconsciente e os jogadores me trataram com tanto carinho que eu não tinha como não torcer por aquele time.
“Sou favorável à mudança de nome, desde que mantidas as raízes lusitanas”
Numa outra ocasião, o senhor estava no Central Park e encontrou com a delegação da Portuguesa, que participaria de um torneio em Nova Iorque.
É verdade. Participei de um treino ao lado de Almir, Félix, Jair Marinho, Orlando e Pampolini e Aymoré Moreira como técnico. Durante o jogo, rompi um nervo e quase minha relação com o piano chegou ao fim. O episódio me rendeu alguns anos sem tocar! Como eu disse antes, virei torcedor da Lusa no tranco mesmo!
Como alguém pode virar torcedor de um time que não ganha nunca?
Olha, as pessoas torcem pelos resultados que os times alcançam. Em 2007, a Portuguesa ganhou tudo e levou 15 mil torcedores ao Canindé, no jogo contra o Criciúma. Se o time voltar a ganhar, vários torcedores vão reaparecer, vão "sair do armário”.
Desde que me conheço por gente, ouço comentários sobre a possível mudança de nome do nosso time. Aliás, há uma parte da torcida que é favorável à alteração. O que senhor acha disso?
Sou favorável à mudança, desde que sejam mantidas as raízes lusitanas. Minha sugestão é que seja feita uma pesquisa com todos os torcedores da Portuguesa. Seria a forma mais democrática para se resolver o impasse.
E se a maioria votar em “Portuguesa” de novo?
É a democracia. O resultado teria que ser respeitado.
O senhor tem algum novo nome para sugerir?
Acho que deve ser alguma coisa na linha de Vasco da Gama. Um grande navegador é um exemplo para um bom nome ou alguma coisa nessa linha.
Qual o jogo mais marcante da Lusa para o senhor?
São dois. O primeiro foi um 7 X 3 sobre o Corinthians em 1951. Um jogaço, em que chovia muito no Pacaembu e o Gilmar era o goleiro do Corinthians. O outro foi um 8 X 0 sobre o Santos, pelo Campeonato Paulista de 1955.
Quais melhores técnicos da Portuguesa ao longo da nossa história?
Oto Glória e Benazzi. Oto Glória por tudo de óbvio que ele fez à Lusa e Benazzi por ter "a cara” da Portuguesa.
"Não tenho como falar mal de um profissional que tirou a Lusa praticamente da terceira divisão e a trouxe para a primeira"
E por que o senhor acha que há tantas críticas ao Benazzi?
Não sei. Não tenho como falar mal de um profissional que tirou a Lusa praticamente da terceira divisão e a trouxe para a primeira. Não acho que alguns resultados infelizes sejam uma razão suficiente para tirá-lo do comando rubro-verde.
E a camisa preta, o senhor gosta?
Gosto. Tenho uma com meu nome e tudo. A terceira camisa é uma realidade do futebol atual, a maioria dos times tem uma.
Há alguma camisa da Portuguesa que o senhor goste em especial?
Gosto daquela branca, com gola e detalhes da manga em vermelho e verde, que a Portuguesa usava na década de 70. Dava muita sorte ao time, ao Enéas principalmente.
Um recado para o torcedor Luso
Apareça no Canindé!
Meu twitter: www.twitter.com/_renatopereira
O maestro João Carlos Martins é considerado um dos maiores intérpretes de Bach do mundo. O regente começou a vida musical cedo - aos sete anos de idade, após ganhar um piano do pai. Assim como a sua paixão pela Portuguesa, cujo início se deu em um treino da Lusa em pleno Parque do Ibirapuera.
Nesta entrevista, o pianista fala sobre a atual equipe rubro-verde, Vagner Benazzi, o encontro com craques em Nova Iorque e a camisa preta da Lusa. Sobre uma possível mudança de nome, ele sugere: “que seja feita uma pesquisa com todos os torcedores da Portuguesa. Seria a forma mais democrática para se resolver o impasse”. Leia na íntegra:
Como o senhor vê a campanha da Portuguesa em 2010?
A Portuguesa começou com pinta de time campeão e, por não ter fórmulas para furar bloqueios adversários no próprio Canindé, parou “no meio da rampa”. A Portuguesa tem dificuldades de jogar contra times que jogam na retranca.
O senhor gosta do trabalho do técnico Vagner Benazzi?
Adoro, eu adoro o Vagner Benazzi. Ele deve corrigir essa falha, de não furar bloqueios, já durante os treinos do carnaval. Se ele conseguir corrigir, a Portuguesa tem tudo para ainda fazer uma boa campanha no Paulistão deste ano.
Podemos ter pretensões com o atual elenco rubro-verde?
Sim. É um elenco dedicado. É um elenco que quando joga no contra-ataque vai à área do adversário e chega muito bem. Só que infelizmente ainda não encontrou o seu caminho definitivo.
“Foi tão emocionante tocar no Canindé lotado quanto tocar no Carnegie Hall, de Nova Iorque”
No último jogo do Campeonato Brasileiro de 2007, quando a Portuguesa conseguiu o acesso à Série A, o senhor tocou o hino nacional para um Canindé lotado. Qual foi a sensação?
Foi no jogo contra o Criciúma. Foi tão emocionante quanto tocar no Carnegie Hall, de Nova Iorque
Certa vez, eu ouvi uma história que quando o senhor tem um concerto e acontece um jogo da Portuguesa no mesmo dia, o senhor não vê a hora de acessar a internet para saber o resultado da partida. É uma história real?
É verdade. Mas essa história aconteceu em um jogo específico, quando a Portuguesa jogava contra o Sport, pela Série B de 2006. Se ela perdesse, iria para a terceira divisão. Preocupado com o resultado da partida, eu não conseguia me concentrar para o concerto, que ocorreria em Tatuí. Quando acabou a minha apresentação e soube o resultado, eu, que não sou de beber, tomei um porre.
Como o senhor virou torcedor da Portuguesa?
Foi no tranco! Com seis ou sete anos, fui assistir a um treino da Lusa no Ibirapuera. É verdade, a Lusa treinava no Ibirapuera! E eu estava atrás do gol em que estava o goleiro Caxambu e de repente levei uma bolada do Nininho. Fiquei inconsciente e os jogadores me trataram com tanto carinho que eu não tinha como não torcer por aquele time.
“Sou favorável à mudança de nome, desde que mantidas as raízes lusitanas”
Numa outra ocasião, o senhor estava no Central Park e encontrou com a delegação da Portuguesa, que participaria de um torneio em Nova Iorque.
É verdade. Participei de um treino ao lado de Almir, Félix, Jair Marinho, Orlando e Pampolini e Aymoré Moreira como técnico. Durante o jogo, rompi um nervo e quase minha relação com o piano chegou ao fim. O episódio me rendeu alguns anos sem tocar! Como eu disse antes, virei torcedor da Lusa no tranco mesmo!
Como alguém pode virar torcedor de um time que não ganha nunca?
Olha, as pessoas torcem pelos resultados que os times alcançam. Em 2007, a Portuguesa ganhou tudo e levou 15 mil torcedores ao Canindé, no jogo contra o Criciúma. Se o time voltar a ganhar, vários torcedores vão reaparecer, vão "sair do armário”.
Desde que me conheço por gente, ouço comentários sobre a possível mudança de nome do nosso time. Aliás, há uma parte da torcida que é favorável à alteração. O que senhor acha disso?
Sou favorável à mudança, desde que sejam mantidas as raízes lusitanas. Minha sugestão é que seja feita uma pesquisa com todos os torcedores da Portuguesa. Seria a forma mais democrática para se resolver o impasse.
E se a maioria votar em “Portuguesa” de novo?
É a democracia. O resultado teria que ser respeitado.
O senhor tem algum novo nome para sugerir?
Acho que deve ser alguma coisa na linha de Vasco da Gama. Um grande navegador é um exemplo para um bom nome ou alguma coisa nessa linha.
Qual o jogo mais marcante da Lusa para o senhor?
São dois. O primeiro foi um 7 X 3 sobre o Corinthians em 1951. Um jogaço, em que chovia muito no Pacaembu e o Gilmar era o goleiro do Corinthians. O outro foi um 8 X 0 sobre o Santos, pelo Campeonato Paulista de 1955.
Quais melhores técnicos da Portuguesa ao longo da nossa história?
Oto Glória e Benazzi. Oto Glória por tudo de óbvio que ele fez à Lusa e Benazzi por ter "a cara” da Portuguesa.
"Não tenho como falar mal de um profissional que tirou a Lusa praticamente da terceira divisão e a trouxe para a primeira"
E por que o senhor acha que há tantas críticas ao Benazzi?
Não sei. Não tenho como falar mal de um profissional que tirou a Lusa praticamente da terceira divisão e a trouxe para a primeira. Não acho que alguns resultados infelizes sejam uma razão suficiente para tirá-lo do comando rubro-verde.
E a camisa preta, o senhor gosta?
Gosto. Tenho uma com meu nome e tudo. A terceira camisa é uma realidade do futebol atual, a maioria dos times tem uma.
Há alguma camisa da Portuguesa que o senhor goste em especial?
Gosto daquela branca, com gola e detalhes da manga em vermelho e verde, que a Portuguesa usava na década de 70. Dava muita sorte ao time, ao Enéas principalmente.
Um recado para o torcedor Luso
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