"Num futuro bem próximo, a Lusa vai conquistar os títulos que sua história merece"
Ewerton jogou na Portuguesa entre 1979 e 1987, quando o clube era muito mais respeitado e levava mais torcedores ao Canindé. O goleiro integrava o elenco que disputou a final do primeiro turno do Campeonato Paulista de 1980 e da decisão de 1985, contra o São Paulo.
Nesta entrevista, ele lembra a estreia contra o Corinthians, quando deu, com a mão, um "chapéu" em Sócrates, lamenta a lesão no rim que comprometeu a sua carreira, cita os colegas Toquinho, Mendonça, Serginho e Moacir e compara Vágner Benazzi a Jair Picerni: "são treinadores que se identificam muito com a Portuguesa". Leia na íntegra:
Você jogou oito anos pela Portuguesa, entre 1979 e 1987. Qual a maior lembrança desse período?
A amizade entre todos os jogadores que passaram pela Portuguesa e a relação com a torcida, que era bastante cordial.
Hoje é quase impossível um jogador ficar tanto tempo assim em um clube. O que mudou no mundo do futebol de lá para cá?
O amor pelo clube desapareceu. Hoje um jogador troca de clube muitas vezes por pequenas vantagens financeiras, sem levar em consideração se vai se sentir bem jogando em um outro lugar.
Em 1980, a Portuguesa era comandada por Mario Travaglini e chegou às finais do primeiro turno do Paulistão contra o Santos. Foi uma campanha brilhante, mas a Lusa acabou perdendo os dois jogos finais. Qual o motivo do revés?
A qualidade técnica do Santos era superior. Nós tínhamos uma equipe muito boa coletivamente, mas nas finais acabou prevalecendo a qualidade individual de alguns jogadores do Santos.
"O que pode ter determinado a nossa derrota nas finais de 1985 foi a falta de força política da Portuguesa"
Você também fazia parte do elenco que disputou as finais de 1985. O que faltou para a conquista do título?
Assim como em 1980, também tínhamos uma equipe muito boa e com vários jogadores de ótima qualidade técnica. Mas o que pode ter determinado a nossa derrota foi a falta de força política da Portuguesa, já que os dois jogos finais foram realizados na casa do São Paulo, o Morumbi.
A Portuguesa era muito mais respeitada naqueles anos. O que fazer para recuperar o prestígio perdido?
Primeiro, recuperar a credibilidade administrativa e, depois, voltar a estar presente nas grandes decisões do futebol paulista e brasileiro.
Você começou sua carreira no Estrela-RS. Como surgiu o interesse da Lusa em contratá-lo?
Um conselheiro que morava no Rio Grande do Sul assistiu a alguns jogos e me recomendou ao Sr. Osvaldo Teixeira Duarte.
"Na minha estreia contra o Corinthians aconteceu um lance que ficou muito marcado: dei um "chapéu" no Sócrates"
Você lembra alguma partida, ou mais de uma, da Lusa que tenha te marcado muito?
Tenho duas: uma positiva e outra negativa. A positiva foi a minha estreia contra o Corinthians, no Pacaembu, quando aconteceu um lance que ficou muito marcado: dei um "chapeuzinho" no Sócrates. Foi com a mão, é claro, mas foi no Sócrates! A negativa foi o jogo contra o Palmeiras em que me machuquei e tive que operar o rim, quando estava no melhor momento da minha minha carreira.
Qual o melhor técnico com que você trabalhou na Portuguesa?
Foram vários, mas destaco o Mario Travaglini e o Jair Picerni.
Na série de figurinhas do Futebol Cards, você afirmou que “seriedade, dedicação e consciência profissional são fundamentais” para a carreira de um jogador. Hoje, com grandes patrocínios e muito dinheiro no mundo do futebol, o que mais é necessário para um atleta ser bem-sucedido?
Estes itens devem continuar a ser seguidos muito mais do que antes, já que a concorrência hoje é muito maior no futebol. É importante lembrar que o número de jogadores que são formados pelas categorias de base dos clubes aumentou e existem, também, várias equipes com centros de treinamentos mantidos por empresários, que não pertencem a nenhum clube de tradição no futebol brasileiro.
"Fiz uma boa amizade com o Serginho "Boneca" e o Moacir "Cachorro", que eram os meus “concorrentes”"
Você jogou com Enéas, Toquinho, Caio. Quais eram os seus melhores companheiros naquela época?
Toquinho e eu éramos vizinhos e íamos juntos ao treino. Mais tarde, o Mendonça também foi morar no mesmo prédio e mantivemos uma forte amizade. Também fiz uma boa amizade com o Serginho "Boneca" e o Moacir "Cachorro", que eram os meus “concorrentes”.
Tem contato com algum deles ainda?
Muito pouco. Cada um foi para um lado.
Depois que começou a sua carreira de técnico, pensou em algum momento em assumir a Lusa?
É difícil porque me estabeleci no Rio Grande do Sul. Mas se surgir a oportunidade podemos conversar.
"Benazzi é hoje para a Lusa o que era o Jair Picerni tempos atrás"
Você acompanha atualmente os jogos da Lusa? O que acha do elenco e do trabalho do Benazzi?
Do elenco pouco conheço. Mas o Benazzi é hoje para a Lusa o que era o Jair Picerni tempos atrás. São treinadores que se identificam muito com a Portuguesa.
A Portuguesa enfrentou o Santos no último domingo, jogou bem e acabou empatando. Qual segredo vencer jogos como este?
Para ganhar clássicos só existe uma receita para a vitória: respeitar sem se intimidar.
Você tentaria mudar alguma coisa se pudesse voltar no tempo e defender novamente a Portuguesa?
Talvez eliminaria o jogo em que sofri a lesão no rim. Essa lesão atrasou um pouco a minha carreira.
Fale sobre a sua carreira depois da Portuguesa. O que faz atualmente?
Sai da Portuguesa e fui para o Noroeste de Bauru, onde disputei o Paulistão de 1987. Depois fui para o Marítimo da Ilha da Madeira, onde fiquei por 13 anos. Primeiro, como jogador, depois como treinador das categorias de base e, por fim, auxiliar técnico da equipe profissional. Voltei ao Brasil e trabalhei como treinador de juniores no Caxias e no Juventude.
Deixe uma palavra ao torcedor rubro-verde
Acredite sempre, pois tenho certeza que num futuro bem próximo a Lusa vai conquistar os títulos que sua história merece.
Quer saber mais sobre o Ewerton?
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http://www.treinamentosdefutebol.com.br/
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